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 Stephen Quadros "fiquei muito impressionado com o Nilson Castro"

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MensagemAssunto: Stephen Quadros "fiquei muito impressionado com o Nilson Castro"   Sex Maio 02, 2008 6:48 pm


Americano é um dos principais narradores e comentaristas de vale tudo nos EUA e grande conhecedor do esporte

*Por: Ivan Canello

Primeiramente gostaria de dizer que é um prazer te entrevistar. Particularmente, sou um grande fã seu e tenho certeza que, assim como eu, existem muitos no Brasil.

Obrigado! É uma honra ser entrevistado por você, Ivan

Para aqueles que não o conhecem tão bem, conte-nos um pouco de sua história com as lutas.

Eu assisti “Enter the Dragon” 10 vezes, muitas vídeo-aulas, UFC 1, aí depois disso eu já sabia de tudo, você sabia que a maioria das lutas vão para o chão mais cedo ou mais tarde? Brincadeira. Eu comecei a treinar Tae Kwon Do em 1973 com um grande instrutor chamado Soonho Song, na Califórnia. Depois de treinar com ele por um ano e meio, me mudei para Hollywood, para tentar minha carreira como baterista. Eu pratiquei Karate Shotokan por algum tempo. Então eu comecei a treinar Win Tsun e, por fim, KickBoxing.

Quando você começou a gostar de Vale Tudo?

Eu peguei emprestada uma fita velha de VHS de um amigo atleta amador de kickboxing, essa fita se chamava “Jiu Jitsu Gracie em ação”, em 1991 ou 1992. Quando eu perguntei a ele o que era, ele descreveu como “briga de rua”. Aquela fita me deixou louco e me assustou. Por vários dias eu juntava meus amigos do kickboxing e mostrava a fita a eles. Depois de assistir as fitas, os comentários surgiam “eu posso nocautear esses caras se ele mergulharem pra me derrubar”, “Não, você não consegue”, etc. Eles estavam convencidos que Jiu Jitsu não seria eficaz contra seus conhecimentos de kickboxing. Mas eu estava convencido que a família Gracie teria muito a ensinar. Então eu fui pra uma outra sala e peguei um par de luvas e disse pra esse meu amigo que disse que Jiu-Jitsu não funcionaria contra ele e disse a ele pra me acertar antes de eu entrar no clinch. Eu disse a ele que, mesmo eu não sendo Royce Gracie, eu conseguiria agarra-lo antes dele me nocautear. Minha ex-esposa estava na cozinha fazendo o jantar e achou que tínhamos enlouquecido. Felizmente pra mim meu amigo não conseguiu me nocautear. Os meus colegas de treino foram embora indignados e incrédulo que aquela fita poderia ajudá-los a melhorar sua luta. No dia seguinte, um dos caras que saiu mais indignado e incrédulo me ligou e falou que deveríamos começar a aprender Jiu Jitsu.

E como você começou a trabalhar com Vale Tudo?

Eu comecei a escrever sobre kickboxing e Vale Tudo em 1993. Comecei a comentar K-1 em 1996. Por volta do mesmo período eu comecei a treinar atletas para o Vale Tudo. No começo eu sabia que eu não dominava todas as técnicas de wrestling e grappling, então eu mandava meus melhores atletas para os irmãos Machado ou Gokor Chivichyan ou Gene Lebell para aprender tais técnicas. Eles aprendiam e me ensinavam depois. Era ótimo!

Você foi pioneiro no trabalho neste esporte. Foi difícil no começo?

No começo eu trabalhava de graça. Muitas pessoas da minha família e amigos achavam loucura minha, talvez até fosse (risos), mas eu segui meu coração. Eu tinha sido competidor, praticante, professor, tinha feito coreografias de lutas para filmes. Havia dias que eu pensava, “será que terei um amanhã para mim?”. Mas eu tinha em mente a importância de botar em prática a confiança que aprendi com meus pais, é muito importante seguir seus sonhos e pô-los em prática e fazê-los reais. No entanto, eu acho que eu mereço o sucesso que alcancei até agora, eu sei que tenho sorte e sou abençoado de ter trabalhado meu caminho em uma posição de respeito e influência no esporte. Estou sempre procurando coisas positivas, mesmo quando estou de frente com adversidades. Eu acredito que me ajudou a prosperar.

Quando você começou a acompanhar Vale Tudo quem eram os grandes nomes do esporte?

Quando eu tive meu primeiro contato com Vale Tudo foi em 1993. Rickson Gracie, Royce Gracie, Renzo Gracie, Igor Vovchanchyn, Dan Severn, Ken Shamrock, Marco Ruas, Oleg Taktarov e Bas Rutten eram os grandes nomes, os pioneiros.

No começo do UFC, nos anos 90, o que os americanos pensavam quando viam um brasileiro magrinho (Royce Gracie) usando kimono e lutando com gigantes e vencendo todos?

Eu aceitei e senti que as mudanças que Royce e os outros Gracies tinham pra oferecer seriam construtivas e positivas. Mas muitos praticantes de outras artes marciais se sentiram ameaçados e eram totalmente contra qualquer mudança. Bruce Lee encontrou a mesma atitude. As pessoas não queriam ouvir a respeito das vulnerabilidades do seu estilo de luta perante um cara que não parecia nada intimidador como Royce Gracie fez. Em resumo, existiam duas vertentes: 1- pessoas que entenderam a necessidade de aprender o Jiu Jitsu, e 2- pessoas que pregavam a superioridade das suas técnicas mesmo nunca tendo sido postas a prova em um combate.

Fale-nos da sua experiência como comentarista. Em quais eventos você já trabalhou?

Atualmente estou no Cage Rage e sou empregado do Showtime Networks para trabalhar no EliteXC e ShoXC. O Cage Rage recentemente foi transmitido pela primeira vez no Showtime, então meu lado profissional está indo muito bem. Eu comecei a transmitir e comentar lutas em abril de 1993 com o K-1 Kings: Peter Aerts x Ernest Hoost III. Desde então, eu trabalhei com Pride, Inoki Bom Ba Ye, Too hot to Handle, WEC, King of the Cage, IFL, APEX, West Coast NHB Campionships, Freedom Fight, HCF, Neutral Grounds e Venom.

Como você vê a evolução do esporte dos anos 90 para os dias de hoje?

Hoje em dia tem muito mais técnica envolvida, que é resultado dos eventos prévios onde era estilo contra estilo. Agora você precisa saber todos os estilos. O esporte evoluiu em todos os aspectos.

Qual foi o melhor e mais bem produzido evento que você presenciou?

Existiram muitos: O Pride 25 Emelianenko/Nogueira 1 (devido a melhor luta de disputa de titulo de pesos pesados que eu já vi), Pride/K-1 Shockwave 2002 (91 mil pessoas) e as finais do Pride GP 2000 (Sakuraba/Royce por 90 minutos). O recente EliteXC Kimbo/Tank também foi um belo show.

Como você explicaria a diferença entre eventos japoneses e americanos e os fãs japoneses dos americanos?

Nas vezes que trabalhei no Japão, o que eu penso ter sido a era de ouro do Pride, os números era muito maiores que nos EUA. O UFC tem um recorde de 19 mil pessoas quando Couture venceu Tim Sylvia e ganhou novamente o título dos pesados em Columbus, no dia 3 de março de 2007. Mas o Pride tinha uma média de, no mínimo, 24 mil até 50 mil pessoas, sendo que o recorde está no Pride Shockwave com 91 mil pessoas no estádio Nacional de Tóquio. As produções dos eventos japoneses também parecem que tem um apelo maior para o show primeiramente, e depois agradar os fãs de luta. Nos EUA, eles evitaram esse show para tentar se diferenciar dos shows de Pro Wrestling, mas com isso acabaram por tirar um pouco do brilho do produto. Os fãs são bem diferentes. Parece que no Japão eles são mais respeitosos, especialmente com as lutas de solo. Algumas vezes os fãs bêbados acabam vaiando lutas de solo no EUA. Eu acho isso desrespeitoso e vergonhoso.

Quais as melhores lutas que você já viu?

Tiveram três lutas que não saem da minha cabeça: Kazushi Sakuraba x Royce Gracie;
Fedor Emelianenko x Rodrigo Minotauro#1; e Wanderlei Silva x Kazushi Sakuraba#1

Eu soube que você ficou bastante chocado com uma luta que você presenciou do Nilson Castro, é verdade?

Eu fiquei muito impressionado com o Nilson Castro quando eu o vi competir em Maceió em 1999. Foi no IVC 8, atletas competindo com cabeçada, sem luvas e todas as lutas tinham limite de tempo de 30 minutos. O Nilson teve lutas muito duras (pra vencer o campeonato tinha que se vencer três combates na mesma noite). Castro foi derrotado devido a um corte feito em uma luta anterior, e na final abriu de novo. Flavio Moura foi o campeão, mas foi uma luta muito violenta.

E quem foi o melhor atleta que você já viu competir?

Fedor Emelianenko.

Alguma chance de vê-lo no Brasil em breve?

Eu adoro o Brasil. Estive no Brasil duas vezes como juiz do IVC e me diverti muito, as mulheres são “c-Razy”! (risos). Espero ansiosamente pela oportunidade de voltar pro Brasil antes de eu me casar e sossegar (risos).

Deixe um recado final para os internautas do Portal do Vale Tudo.

Obrigado a todos que se correspondem comigo e me apoiaram em todos esses anos, tenho muitos amigos no Brasil e eu adoraria poder visitá-los mais vezes. Estou muito feliz por todas as bênçãos que Deus me deu e por todas as grandes experiências que tive. Lembrem-se, sempre tentem achar o bem nas pessoas e na vida, seja honesto e ame sua família. Obrigado ao Portal do Vale Tudo e em especial a você, Ivan.
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