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 O fabuloso Gracie (reportagem da Veja dessa semana)

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MensagemAssunto: O fabuloso Gracie (reportagem da Veja dessa semana)   Dom Jul 06, 2008 8:12 pm

Mais que um lutador, Carlos Gracie foi uma
celebridade entre os anos 30 e 50. Uma deliciosa
biografia dá a exata dimensão da fama que ele teve



"Para divulgar o jiu-jítsu – e o nome Gracie –, ele fazia de tudo, inclusive oferecer prêmios em dinheiro para os desafiantes que conseguissem derrotá-lo, independente de peso, altura e tamanho. Chegou a publicar um anúncio contendo a seguinte pérola: ‘Se você quer ter sua face esmurrada e arrebentada, seu traseiro chutado e seus braços quebrados, entre em contato com Carlos Gracie neste endereço’, e seguia-se o endereço da Academia Gracie.
Trecho do livro Carlos Gracie: o Criador de uma Dinastia"

Há 20 e tantos anos que os Gracie mantinham uma invencibilidade que parecia definitiva. Por isso há tanta gente querendo dar rádio, televisão e até ferro elétrico a Waldemar. E não há dúvida que ele bem o merece. No dia de sua vitória, houve uma alegria universal, sim. O fraco sentiu-se menos fraco, o humilhado menos humilhado, e o marido que não pia em casa levantou, por 24 horas, a crista abatida. Todos nós somos cúmplices de Waldemar.
Crônica de Nelson Rodrigues sobre a luta de Hélio Gracie e Waldemar Santana, em 1955



A família Gracie, que trouxe o jiu-jítsu para o Brasil e transformou a luta num fenômeno internacional, é conhecida também por muitas brigas fora do ringue, nas ruas do Rio de Janeiro. Em uma dessas ocasiões, em 1934, Carlos Gracie e seus irmãos Hélio e Gastão pretendiam fazer um acerto de contas com o lutador Manoel Rufino dos Santos, que publicara uma carta nos jornais com comentários considerados desairosos sobre a família. Rufino foi espancado e o trio terminou atrás das grades. Carlos e Hélio, condenados a dois anos e meio de cadeia. Gastão, a catorze meses. Não ficaram muito tempo na prisão. E a razão pela qual se livraram é um dos pontos altos da leitura de Carlos Gracie: o Criador de uma Dinastia (Record; 560 páginas; 49 reais), biografia escrita pela artista plástica Reila Gracie, 19ª filha de Carlos. Eles foram beneficiados por indulto do então presidente Getúlio Vargas, que atendeu um pedido subscrito por cinco ministros de estado – entre eles Oswaldo Aranha, da Fazenda, e Juarez Távora, da Agricultura – e gente de prestígio na sociedade carioca, como o presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Herbert Moses. A iniciativa partiu da poetisa Rosalina Coelho Lisboa, casada com Antonio Larragoiti (da família que fundou a SulAmérica Seguros) e, comentava-se à boca miúda, apaixonada por Carlos.

Ao esquadrinhar a história da família, Reila tinha como objetivo restituir a Carlos Gracie o título de verdadeiro criador da luta conhecida hoje em todo mundo como Brazilian jiu jitsu. A primazia de Carlos nunca foi negada por Hélio, onze anos mais moço e seu discípulo. Mas foi sendo apagada pelo tempo, pelo enorme sucesso do irmão nos ringues e por intermináveis disputas entre os descendentes dos dois patriarcas pelo uso comercial do nome Gracie. Por esse motivo, o minucioso trabalho de pesquisa da autora destinou-se, principalmente, a dirimir uma rixa de família. Mas, ao empreender esse mergulho, Reila trouxe a público histórias deliciosas e uma dimensão dos Gracie praticamente esquecida. Por três décadas, entre os anos 1930 e 1950, Carlos e Hélio foram personagens de relevo na cena carioca –e, portanto, no Brasil.



Sua projeção extrapolava os ringues, para onde atraíam multidões. Chegava aos salões da sociedade, como fica patente no caso da surra em Rufino. Por suas academias passaram personalidades como o ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda, o fundador das Organizações Globo, Roberto Marinho, o playboy Jorginho Guinle e o ex-presidente da República João Baptista de Figueiredo. Em 1951, já eram tão famosos que uma luta de demonstração fez parte da programação de estréia da TV Tupi no Rio de Janeiro. O histórico confronto entre Hélio Gracie e Waldemar Santana no Maracanãzinho, em 1955, ganhou contornos de final de campeonato brasileiro, como relatou Nelson Rodrigues numa crônica antológica (leia trecho).

Como toda biografia destinada a resgatar a imagem do biografado, esta é pródiga em elogios. Mas tem o mérito de usar tintas realistas para descrever a vida e a personalidade singulares de Carlos Gracie, que morreu em 1994, com 92 anos. Seu pai, Gastão, foi químico, diplomata, garimpeiro, dono de cassino e fabricante de dinamite. Certa vez explodiu uma bomba na companhia de luz porque lhe haviam cortado a energia. Também foi dono de circo, em Belém. Por causa desse circo, que contava, entre suas atrações, com lutadores de jiu-jítsu vindos do Japão, Carlos travou contato com a luta, que aprendeu com Misuyio Maeda, conhecido como Conde Koma. Na adolescência, Carlos teve um comportamento quase delinqüente – definição da autora. Sua vida familiar foi assombrosa, digna dos melhores momentos do realismo fantástico. Afirmava ter poderes para tornar-se invisível. Também dizia incorporar um espírito peruano. Com isso, transformou-se numa espécie de guia espiritual da família e de Oscar Santa Maria, seu sócio numa empresa de comércio exterior. Entre suas atribuições estava a de avaliar a aura dos clientes antes de fechar um contrato. Santa Maria tornou-se um seguidor fervoroso. Em 1955, cedeu sua namorada para que ela tivesse um filho com o espírito peruano – com a indispensável, digamos, intermediação de Carlos. Santa Maria demorou a perceber o absurdo da situação. Em 1959, quando sua mulher teve o terceiro filho de Carlos, rompeu relações com o sócio. E, quatro anos depois, acionou-o judicialmente por estelionato. O criador do Brazilian jiu jitsu foi um exímio criador de casos.


fonte: PVT

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MensagemAssunto: Re: O fabuloso Gracie (reportagem da Veja dessa semana)   Qui Jul 10, 2008 9:02 pm

Excelente matéria.
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